sábado, 1 de julho de 2017

Rua de “nós-meninos”


dema

Rua do quartel, burburinho, bandeirolas, gente, bumbo e corneta. Olha a fanfarra!
Tá tará tá tá tá tá... Tá tará tá tá tá tá... tá tará... tá tará... tá tá tá tará...

Depois, na principal, o palhaço, em pernas de pau,
e a molecada, seus camaradas:
— Hoje tem marmelada? — Tem “sinsinhô”.
— Hoje tem goiabada? — Tem “sinsinhô”.
— Hoje tem espetáculo? — Tem “sinsinhô”...
Sou gato, escuto e pulo. Da janela na calçada, grudo na turma. Lá vou.
Rua das acácias, das palmeiras, da ladeira, das rameiras,
da casa da vovó, ai que dó (embora longe da minha),
de frente da de Manoela,  então, princesa, hoje rainha.
Cada qual com seu segredo, cabeludo de dar medo.

Laranjinha no bar da esquina da rua da escola,
ando logo que a pipa empina e a seguir tem bola.
Pirralha namoradeira bem no largo da matriz,
doido, “seu guarda” e chafariz.
Menino de rua? Que nada, rua de “nós-meninos”. Que mimo!

Agora, droga, tiro, polícia, bandido. Horror.
Se cheia de gente, apavora
de edil a senador, de alcaide a governador
e até Presidente pôs fora..

Maldita tela de computador e TV,
de rua não quero mais saber.
Coitada da rosa, o jeito é olhar pra lua,
o muro, ora, tão alto, não a deixa espiar a rua.




O poema, a poesia


dema


Radiante, manifesta-se minh’alma,
vestida da luz das manhãs de verão;
cores vivas, encanto e afável olência
que os versos fagueiros, de amor em essência,
grafados da pena que trazes na palma,
fazem desabrochar em meu coração.

É fato que, às vezes, percebe-se o blue
no tom das imagens, mais cinza que azul;
doutra feita, porém, o lilás de festa
evoca memórias da boa seresta.
E, se acentuado o matiz violeta,
ao certo é paixão à “romeu-julieta”.

Esplendor de lumes, nuances, olores,
música suave, prazer com sabores,
tragédia, tristeza, penumbra, sangria,
os traços marcantes de qualquer poema,
quando lapidado com gran maestria,
não são nada mais do que elos de algema
do engenho poético com a poesia.


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Obra nova - lançamento

Em breve, estarei lançando este novo livro. Sua presença será indispensável na ocasião.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Olhar de amor


dema


Não me canso de dizer
que há beleza estonteante
no brilho do teu olhar.

Longe apego relutante
de entregar o querer
pra simplesmente sonhar.

Embora não tão suave,
aparenta simetria
com o clarão do luar.

Onde há glamour, a poesia
tem no amor palavra-chave.

A alma vaza dos olhos
em busca do ser amado,
água a correr entre abrolhos
fazendo espuma em dobrado;

um exultar de alegria
-  ô sentimento sagrado! ­-
transforma a dor em folia,
deixa o ódio magoado.

EM DEMASILVA

sábado, 29 de abril de 2017

Deus não é cético



dema

O que é o homem sem liberdade? Não mais do que um animal de racionalidade prescindível. Enquanto ser que traz em si dualidade contraditória, é potencialmente bom e mau. A liberdade faz-se sua fortuna ou desgraça.
De algum tempo para cá, tenho sido dominado por uma tristeza profunda. Desapareceu de mim o sorriso fácil e a decepção com o ser humano tomou posse de minha mente e de minha alma.
Como se num processo cíclico, a humanidade vive um de seus piores momentos. O homem está a optar pela prevalência do mal na maioria dos grupos sociais contemporâneos. Isso me reporta a T. Hobbes, “o lado lobo” em alta.

Meu alento é ter me apercebido de que Deus desconhece o ceticismo, ou não teria disponibilizado, a esse ser paradoxal, o libre arbítrio. Encontro, em Sua infinita sabedoria, o alicerce a garantir que Ele sabe o que faz. Possivelmente antevê que a criatura humana, também dotada de inteligência, ao final, elegerá praticar o bem, sob pena do extermínio próprio, via processo de autofagia.

em demasilva

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Nada como o tempo


dema


O tempo dissipa a mazela,
desfaz todo mal-entendido,
quando o amor entre ele e ela
apenas ficara escondido.

Quão bom desfazer-se, na alma,
qualquer mácula de tristeza
que, em dado momento, a incerteza
do amor veio roubar-lhe a calma.

Ressurgem de novo ilusões,
e se ama com mais cuidado;
já não se quer os corações
batendo entre si magoados.

Parece chegado o momento
de se viver em plenitude
tão desejado sentimento
desde a remota juventude.


  



EM DEMASILVA

sábado, 18 de março de 2017

Libertação


dema


Dizer quanto te amei muito me apraz,
também ouvir de ti que amado eu fora;
minh’alma, prisioneira, já não mais
 _ barganha eficaz, libertadora!

Jamais imaginei que isso se desse;
pensava-me fadado a teu escravo,
será fosse esse teu maior estresse (?)
- palavras a operarem desagravo.

Suporte de aspirar eternidade,
para o crente, há de ser profunda fé;
de igual sorte, esperar felicidade
se valida enquanto ilusão houver.

Caso a fé vire objeto de repúdio
e a ilusão seja pro inferno banida,
logo, logo, o real se torna o estúdio
onde a  esperança frágil perde a vida.

Um’outra expectativa então renasce,
que possa eu doravante ser feliz
e, sendo o meu amor de uma só face,
me torne assim o ser que sempre quis.