sábado, 14 de julho de 2018

Quadrilátero


dema


Quatro ângulos em 90°
se olham permanentemente.
Cada um com horizonte no lado oposto.
Os contrários não disputam entre si,
ao contrário, compartilham invisível hipotenusa.
Quiçá se atraem, pois se relacionam.
Amar? Creio que não.
Amor é relativo, mais e menos,
A hipotenusa faz-se exata.
Os cantos não se dividem,
Não se excluem.
Angulam a circunferência.
Amor: forma e desforma.
Quadrilátero: simplesmente forma.


DEMASILVA

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Indolência poética




dema

A tarde dorme.
Sujeito suspeito, hiberno.
Meu cão também.
Se de repente chega a noite,
acordamos para dormir novamente.

Assim, a vida passa.
Somos velhos peregrinos pelo mundo.
Até quando?
Sem problema,
sem fome.
Somos ninguém,
nem temos nome.

O ar parece tremer sobre nós
e à nossa frente.
É morno ou quente, depende.
_ Não insista, não me acorde!
Ouço Bach em moucos acordes.

No oeste, queimam o planeta.
_ Saltita logo, Saci perneta!
Lá em cima, desmatam
beira e miolo da mata.

A preguiça dorme no tronco.
Sequer espreguiça.

Há tanto fumo,
presumo inferno
não muito curto,
talvez eterno.

A chuva vem, devassa as cinzas.
Faz poeira, meleca.
E cá, sono de soneca em soneca.
Deus salve o mundo
para Maria e o Raimundo!

Zás...surrupiaram meu ananás.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Vulcão ensandecido



dema


Sou vulcão ensandecido,
ávido por derramar lavas incandescentes
sobre a cidade.

Lá, onde a ganância atropela os incautos,
o tráfico destrói as famílias,
o poder surrupia do povo.

Mas lá também onde se ama
e se faz gente,
se solidariza, se canta, se faz festa.

Eu, vulcão ensandecido indeciso:
como enterrar a cidade má e boa?
Sou pior do que os maus?
Melhor do que os bons?

Não sou demônio e nem Deus.
Não estou fora, mas dentro.
Sucumbo, paulatinamente,
em meu tormento.

Sou vulcão ensandecido
e me derreto
por fora e por dentro.




Prece ao Criador



dema


— Senhor, peço que:

·         Te manifestes mais,
·         expurgues a idiotice da mente humana,
·         erradiques o mal do coração dos filhos de Eva,
sem que optem pelo bem por coação.

·         Ponhas fim à mendácia histórica das religiões;
·         Te apresentes hospedeiro de cada alma.

·         Permitas ao racional contemplar a magnífica obra criadora
e, nela, vislumbrar a expressão indubitável
da Tua plena onipotência e bondade.

·         Posto sua mediocridade, semi-eterno ou não,
que o ser humano, a Ti, renda graças pela dádiva de àquela pertencer.

·         Senhor, que incutas, nele, o sentimento fraternal
e afastes a ganância que o destrói,
outrossim, alivies seus temores ante a própria efemeridade.

— Amém.