dema
Insulta-me, da língua,
a riqueza vocabular.
Palavras nobres e pulcras,
suaves e fortes,
amargas e doces
instigam-me o alar.
Passo ao largo,
com a mente vasta,
o conhecimento curto,
desejo enorme qual sonhar,
pela ausência funda
de um propício tema
p’ra que as articule
em neopoema.
Sou poeta errante.
De assunto,
pobre ignorante,
como tendo asas
sem saber voar.
Ante o tesouro
de vocábulos d’ouro,
sou burroxucro,
não o sei usar.
Onde a verve, o estro?
Vítimas de sequestro?
É o que sinto,
não minto;
não o que quero:
eu me desespero.
"NUNCA É TARDE" é um blog que divulga ideias e produções que podem incrementar sua bagagem cultural. Traz textos profissionais, religiosos, literários, filosóficos, dentre outros.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Xucro
terça-feira, 6 de novembro de 2012
V TORNEIO DE TRUCO “ENTRE AMIGOS”
Promoção: Dema & D2S
Onde? “DEMA’S HOME – UDI”
Sábado, 03/11/2012, mais uma edição do “Truco Entre Amigos” na casa de Dema. Das 12 a mais 12 horas. 12 duplas. De mamando a caducando (meninos e suas girlfriends). Nunca se viu tantas canecas por conta de somente dois troféus. Churrasco, cerveja e (não sei de onde surgiram) algumas amarelinhas do Norte de Minas (o rótulo)... cachaça!!!!
Alguém tinha que ser campeão. Nesta quinta edição, a dupla “Rei de Paus” levou , Antônio (o Tõe) e Zé (o brother). Parabéns.
Um agradecimento a todos os que estiveram presentes e fizeram acontecer o evento e um especial ao churrasqueiro (de grátis), Ilton, bem assim ao fotógrafo oficial, JBosco. Afinal, D2s, sogrão é “pressas” coisas, não?
Um abraço a todos e o convite para o próximo, não tão próximo e nem tão distante.
Valeu!!!
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Sal insosso
dema
Pra que serve o sal sem sabor
ou a lua sem o luar?
O que é a vida sem o amor
senão a morte sem nos levar?
Se...
dema
Se já não tens o meu sorriso
nem de minh’alma és mais a dona,
faze, pois, logo o que é preciso,
parte pra longe e me abandona.
Não partirás meu coração,
mas vais tirar meu sobrenome.
Farei por ti uma oração,
enquanto tua imagem some.
Onde a ternura que jorrava
desses teus olhos à mão-cheia?
Onde o carinho que emanava
dos teus afagos sobre a areia?
Que seca esta que permeia
nossos contatos de armadura,
como se bem tecida teia
com tantas garras de amargura!
Que vultos esses indistintos
em nebulosos movimentos!
Não sei se sentes o que sinto,
se é apenas coisa de momento.
Se há zarpado da vida a dois,
do amor que a sustentava, o elã,
não tem porquê crer que depois
seja possível outro amanhã.
Se só o que resta é grande dor
pelo de bom que antes houvera,
melhor se faz, com festa e flor,
brindar u’a nova primavera.
Se ao partir, levares o sol,
deixa a lua, porém, comigo;
terás sempre teu arrebol
e o luar será meu castigo.
..
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Giros e orbitais
dema
Cada giro um dia,
orbital um ano.
Se por sorte,
se por engano,
viu a luz,
traçado o plano.
Menino pobre,
mas “menino homem”,
não era tolo,
não passou fome.
Deixou o ninho inda bem cedo,
aventureiro, sem medo.
Dedicou a Deus doze orbitais,
fez dos amigos irmãos e pais.
Enveredou-se pelas humanas,
sobremodo greco-romanas:
Sociais e Filosofia,
História e Geografia,
até um pouco de Teologia;
depois Direito e pós-graduado,
mas não mestrado.
Mais uma dúzia de translações
consagradas à sociedade:
regeu discentes,
regeu escola;
o salário, quase esmola,
mais parecia ser caridade.
Com esposa e filhos, não havia jeito,
era preciso mudar de eito,
trocou de ofício com sacrifício.
Cobrar imposto, ah, que coitado!
“Isso é pesado, é pra Zaqueu,
mas se alguém o faz, que seja eu” _ dizia _
“Se não o fizesse, outro o faria”.
Que o Senhor seja louvado!
Ganha amigos, outros irmãos;
é respeitado, de coração.
Bodas de prata neste mister
marcam o giro de dar adeus,
rezar com fé e agradecer
a Deus e aos amigos seus
ora se impõe por gratidão,
sinceridade e obrigação.
Esquecê-los, jamais,
dizer-lhes apenas: “até mais!”
Quem sabe elípticas ainda restam,
como também outros devaneios
em seu caminho inda a trilhar
antes que cheguem últimos “ais”
do pré-traçado e abraçado fado.
Por ora, amigos, deixa o abraço,
diz “Até mais!”
sem rituais.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Negaça
dema
Aguardo teu cio,
felino, te negaceio.
Tua vida,
minha sobrevida.
Darwin me diria “sim”.
À caça da presa,
te espreito, me reteso,
armo o pulo.
Não passas,
sorte tua,
meu azar.
Farfalhas na verde folhagem da vida-arvoredo,
tenho nas mãos o teu medo,
tua inocência;
quero o teu segredo,
sem clemência.
A fortuna te agracia,
mas chegará a hora, o dia,
do salto, o momento,
pra matar-te com profundo sentimento
e fantasia.
Far-te-á vítima a paixão
que a mim maltrata.
Por inteira, tomar-te-á,
te domará.
De tua algoz à sempiterna companheira.
Perpétuo fará teu sacrifício.
E tu me tomarás em posse,
aos poucos, em domínio.
Ter-me-ás em propriedade plena,
algozes e vítimas em recíprocas,
inferno e céu,
desnudos de solidão,
imersos no tempo da eternidade,
sucumbir-nos-emos.
...
sábado, 6 de outubro de 2012
Nada e ninguém
dema
Sou nada,
sou ninguém.
Para mim a vida vai,
pra você ainda vem.
Não sei se vou levando a vida
ou se ela é quem vai me levando;
se me leva é direto pra morte,
que parece se achar me esperando.
Preciso contar com a sorte,
não ser pego de surpresa;
quero olhar nos olhos dela,
quero ter toda a certeza.
Se me busca a morte agora,
juro, não terei tristeza,
não joguei a vida fora,
vivi-a com profundeza.
Se o que fui vale mais nada,
menos vale o que ora sou;
sem futuro, sou piada,
sem passado, o que restou.
Para mim a vida vai,
pra você ainda vem,
e o que sou é ser um nada,
ser um nada é ser ninguém.
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