quinta-feira, 24 de maio de 2012

Mamãe iletrada


dema
Mamãe iletrada lê meu coração com fluência,
vasculha minh’alma e, com opulência de calma,
desembaraça aflições que me levam à demência.
Se a tristeza prima, confirma-me as causas, orienta;
se impera a alegria, dela compartilha e faz sua.
Sem bengala se arrasta, atravessa a rua,
a fazer-me visita.
Pra ser honesto, às vezes, irrita.
Se a ofendo, finge que não se apercebe ou insinua
que a razão é a rotina, o trabalho, a fadiga.
Eu que o diga!
Se tem algum desejo, raramente o diz
E se o diz e não faço, será quando eu puder.
A ela está bem quando me aprouver.
Mamãe iletrada conhece todos os banhos e chás,
benfazejas ervas da horta verdinha cada dia me traz.
Se delas desfaço, a ela tanto faz. Amanhã trará mais.
No fundo, no fundo, ela quer é me ver.
Velhinha, talvez imagine que noutra esfera não mais o fará.
Ledo engano, mamãe.
Se morei em seu ventre,
ter-me-á para sempre
e do seu coração ninguém há de tirar.
Tolo que sou, não lhe dar muito amor,
carregá-la no colo de volta pra casa,
fazer-me as vezes de sua bengala,
abrir meu coração e dizer-lhe,
ao menos uma vez:
que a amo trinta dias por mês.
...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

SINA DIVINA (dema)

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Não quereria ser Deus
ou já teria pirado,
oh, que sina a do coitado:
é toda essa gente carente,
cheia de pecado,
rezando, pedindo, implorando
pra ser atendida tal o solicitado.
Eu já teria pirado...

Se fosse Deus e devesse atender
esse povo safado,
faria por atacado.
Só os pedidos de mãe
me deixariam esgotado.
Eu já teria pirado...

Com tanto poder, sem poder
pegar a prainha do lado,
tomar uma cachacinha
e tirar um soninho dobrado.
Eu já teria pirado...

Sei lá,
talvez até isso tenh’ acontecido
e Deus se enlouquecido.
Não terá sido à toa
que deu o seu filho querido
para ser crucificado.
Ai, que sina, meu Deus!
Tudo por seu povo amado.

Pior, nem morrer Ele pode,
pois vive para a eternidade.
Imagine a vontade de Deus,
de trocar-se pela criatura
em vez de ser um incriado.
Antes morrer para sempre
e se livrar de um povo abestado.

Ah, que sina, Senhor, que fado!
Quão pesado há de ser o seu fardo.
Eu já teria pirado...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

TRUCO IV – DEMA’S HOME – 2012




Esta é a 4ª edição do TRUCO ENTRE AMIGOS, realizada na casa de www.demaisilva.com.br , isto é na casa de Dema e D2s. Das 12:00 às 20:00 do dia 06/05/12, nos confraternizamos, amigos de D2S e de Dema (pesca e serviço). Um torresminho, churrasco, Germana & Montanhesa e todo mundo a “Sub zero”. Ambiente saudável, bom mesmo de se curtir. Falando de truco, Ricardo e Andinho levaram o ouro; Samuel e Carmona saíram prateados. Nós outros, com os olhos vermelhos (por que será?).


Foi muito bom. Em breve teremos nova edição.

Vamos ver as fotos do evento:


                             

Poesia versus tema




dema


Nada tenho de poesia
ou ela é quem não me tem,
a poesia há de bastar-se
a validar-se a que vem.

Cá por mim, demanda ter
um tema que a contenha;
se lhe falta esse conter,
melhor talvez que não venha.

Precisa trazer mensagem
ou o que vem aqui fazer(?),
ao menos projete imagem
pra ser prazer por prazer.

De repente, exijo tema
ao que não importa ter
e me prendo a esse dilema,
sem curtir um bom lazer.

Que ela então fale por si,
Seja o que lhe aprouver,
mas que jorre aqui e ali
o que de prazer couber.

sábado, 12 de maio de 2012

VIOLA




dema

Inda que presas as cordas
em mãos de violeiro destro,
a viola chora mágoas
que emanam de finos versos.


Na louvação da saudade
e das lembranças de outrora,
expulsa a tristeza d’alma,
bota a alegria pra fora.


Faz vibrante o coração
do menestrel da viola,
cujo estro se agiganta
depois que a lágrima rola.


Se antes foi tristeza tanta,
ora tudo vira festa,
prima a arte onde era o pranto,
surge o belo co’a seresta.


Se acaso pintar o fado,
em harmonia vem ponteado,
como carta de alforria,
chega e dá o seu recado.


O que amarras figurava
traz sabor à melodia,
que por toda a noite em claro
canta o amor na boemia.


É a magia da viola
produzindo esta poesia.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Ansiedade


dema


Aguardo ansioso a dor da despedida
Pra saber o quanto a amo e se a quero.
Se nada sentir na pré-ausência dita
E confirmar-se que de amor eu seja estéril,
Talvez me desespere.

domingo, 29 de abril de 2012

NO REINO DE ALI BABÁ.



dema

Terça feira, 6:10 da manhã. Hora da caminhada no parque da cidade. Levanto-me e me apronto. Tomo da chave e documentos da caminhonete e rumo para a garagem.
- Ué, ela não está ali. Meu Deus, cadê essa danada?
Verifico os portões. Todos fechados, nenhum sinal de arrombamento.
Retorno à cozinha, pego outro controle eletrônico e abro um deles.
Névoa espessa e fria enche a rua ainda deserta.
- Gente, olha aí a caminhonete, na contramão, mas em frente à casa!
Nenhum outro carro e nenhum movimento.
- Como me esqueci de guardar essa bichinha?
Ora, mas ela não poderia estar ali. Inevitavelmente teria sido roubada ou depredada, porém, rodas e pneus intactos.
- Será que quebraram os vidros?
- Não. Estão fechados e inteiros, apenas embaçados.
- Quem sabe a riscaram?
Circundo-a e nada. Perfeita.
As maçanetas, parecendo intocadas. Nenhum sinal de tentativa de violação.
- E se tiverem colocado uma bomba?
Deito-me debaixo do veículo, pelo lado de trás. Vasculho tudo e... nada. Talvez não a levaram porque a noite de segunda feira é vazia...
- Não, não pode ser. Existe alguma coisa errada neste reino de Ali Babá!

Súbito, acordo assustado com o barulho de partida de carro vindo da garagem. Levanto-me apressado, abro a janela do quarto e olho naquela direção. É meu filho saindo para o trabalho em seu carro.
- Ah, a caminhonete está lá, como sempre, ao lado do barco. Eu sabia que havia algo errado!...