segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A LÓGICA E O POEMA

Afonso de Sousa Cavalcanti


Aquela pedra da entrada da fazenda,
há muito tempo defendeu meu amigo,
isto ocorreu em dado dia de contenda,
quando estranha criatura interferiu comigo.

Um forte balaço de carabina,
de longe muitos ouviram o estampido,
Eu não sabia do acontecido
que Gabriel se apaixonara por tal menina.

Cheguei há tempo e pus fim a tal engano,
caso contrário, Gabriel sofreria o infortúnio
na estação da primavera e à luz de plenilúneo.
na mira da ira do atirador insano.

Sofro até hoje, pois perdi a lógica de criar versos,
pois gastei com eles quase todo o meu latim.

Quem passa pela fazenda Pedra Branca
pode conferir a bala na pedra empolada
e se visitar a casa grande daquela instância
Verá a felicidade de Gabriel e de sua amada.

Fui testemunho da vida e do apaziguamento
e por isso eles sempre dizem bem de mim.

sábado, 5 de setembro de 2009

CONGONHAS - Sô Leandro - Qui bene cantat, bis ora! - O latinorum da missa!

Por Benedito Franco


126 – Sô Leandro


À noite, na casa do Sô Leandro, tinha eu as primeiras aulas e noções de música – na rua da Serraria, Cel. Fabriciano. Adorava escutar e seguir a banda do Sô Leandro, talvez por eu ser neto do Sô Pedro Araujo, tocador de tuba. Vovô Pedro formava um conjunto perfeito com a tuba: os dois parrudos e do mesmo tamanho!
No Seminário, em Congonhas, quando entrei para o primeiro ano - fiz antes o admissão - pedi para entrar nas aulas de piano ou harmônio e não consegui. Em capas de cadernos desenhei um teclado; colocava-o em cima da carteira e tocava, ou melhor, dedilhava minhas supostas músicas. Padre Lima, que me vetara para aprender piano ou harmônio, vendo aquele piano em cima de minha carteira, compadeceu-se de mim, encaixou-me numa aula de harmônio, tendo como meu primeiro professor o Padre Penido. Dom Lara e o Padre Henrique posteriormente foram também meus professores.
Tomava parte no coro e na Schola Cantorum, uma turma dos doze melhores cantores especializada em canto gregoriano – Pe Anselmo e Pe Borges os regentes.
Na banda de música, a furiosa, tocava saxofone, em mi bemol – aquele reto - mas gostava de experimentar todos os seus instrumentos ou regê-la de quando em vez.
Em casa tenho um piano que foi do Seminário, que os Padres Redentoristas deram para a Celma, minha irmã, e ela passou para mim. Esse piano, francês de 1932, tem cepo de madeira, um som suave e doce – tipo do que Beethoven aperfeiçoou – pode ser desmontado em segundos – pena que desafina no tempo de chuva – a madeira incha e as cordas bambeiam.


099 - Qui bene cantat, bis ora!


Quando tinha uns sete anos, Padre Deolindo chamou-me para ser coroinha e ensinou-me as respostas da missa - tudo em latim.
Eu papagaiava meu latinorum, sem mesmo entender que havia o latim ou outro idioma. Graças a Deus que o Concílio Vaticano Segundo (1962-1965) substituiu o latim pelos idiomas locais!
Indo para o Seminário de Congonhas, nos sermões ouvia duas frases constantes e marcantes: uma era esta de Santo Agostinho (354-430 aD), pois logo fui ser cantor no coro orfeônico: Qui bene cantat, bis ora - Quem canta bem reza duas vezes.
Na leitura do latim, a consoante final de uma palavra se liga à vogal inicial, se a houver, da palavra seguinte. Ouvia a frase de Santo Agostinho... e aquele bisora (bis ora) não me saía da cabeça. Como o Padre não traduzia, quase todos, eu não, entendiam - ficava eu grilado e procurando saber o que tinha a ver cantar com besouros! Pelo menos se fosse grilo!...
A outra era a frase de Santo Afonso Maria de Ligório, fundador da Congregação Redentorista - um dos sábios Doutores da Igreja, cujos livros já tiveram mais de um milhão de edições: Quem reza se salva, quem não reza se condena.
Numa das visitas que mamãe me fez, levou-me um belo livro, Meditações, escrito por Santo Afonso. Nesse livro, o inferno é descrito e pintado com cores tão vivas, dignas do Dante, que eu até tremia e me arrepiava quando lia algumas dessas meditações – com meus pecadinhos juvenis, chegava a sentir um pouco o calor do fogo do inferno.


101 – O latinorum da missa!


O Concílio Vaticano Segundo (1962-1965) substituiu o latim pelos idiomas locais na liturgia - acabando com o latinorum das missas e das liturgias da Igreja. Aliás, obrigou-se o Padre a celebrar a missa em sua língua pátria. Hoje, o Papa Bento XVI determinou que é permitido rezar missa em latim – eu gostaria de assistir a uma dessas!
E não era só a missa em latim, com o Padre dando as costas para o público, que o fiel deveria suportar: havia também o latim do batizado, da extrema unção ou da encomendação fúnebre, da crisma e de tudo mais da igreja.
Para a gente comungar, deveria ser em jejum absoluto – já viu que missa à noite não havia, só até ao meio-dia! E não se podia tocar na hóstia e muito menos tomar o vinho, como hoje acontece muitas vezes.
E ainda diziam pra gente que as rezas em latim, só de ouvi-las, valiam mais que as rezadas em português! Dá pra entender?... Nem a ordem e muito menos o latinorum!
No Seminário eu falava para os padres que preferia rezar em português.

...

MOMENTO

DEMA
Eu vinha triste, cabisbaixo,
contando as pedras pela escura rua.
De repente,
percebi na noite densa:
"a esperança me sorria".
Melancolia
num sorriso de tristeza,
pensava...
no amor que não cresceu...
Um vagalume iluminou a minha trilha e
descobri
que a noite ria por me ver.
Por detrás daquele riso de escárnio,
vislumbrou-me o olhar da esperança.
Foi por isso que,
num ápice de otimismo,
achei-me tolo
querendo quem não me quis.
Fui eu quem disse:
Não, basta de tolice!
Mas era ela muito bela e boa atriz.
Bye, bye, noite!
Bye, bye, bela atriz!!!

VIVER POR VIVER

DEMA
Viver apenas por viver
Com os olhos cheios d’água
E com mágoas
Coração sempre a chorar.



Teu sorriso é de pedra.
Nem eternidade quebra
Teus anéis de solidão.


Tenho pena
De uma vida como a tua,
Sem poema,
Sem amor.



Os teus sonhos
Não traduzem a verdade,
Fogem da realidade,
Te convidam a sofrer.
Viver apenas por viver...


Já não tens a beleza que cativa
E a meiguice que incentiva
Alguém pra te amar.



Vives da saudade.
Teu egoísmo profundo,
Longe da felicidade,
Faz-te a vítima do mundo.



Tenho pena
De uma vida como a tua,
Sem poema,
Sem amor.


Viver apenas por viver,
Com os olhos cheios d’água
E com mágoas
Coração sempre a chorar.

 

COMENTÁRIOS

DEMA

Quando a poesia não está no POEMA mas no COMENTÁRIO, é justo que se invertam as ordens: ao segundo LOUROS e ao primeiro PENA.

VEJAM-SE os comentários de LORA em algumas das postagens do blog:



"Onde andará o poeta sem o poema,
Onde andará a prosa sem o verso,
E o enredo sem o tema?
A vida é um universo, de alguma forma nos preenche, seja na dor ou na euforia, é motivo de ser celebrada, o existir precisa ser lembrado. E ninguém melhor do que o poeta para dar esse significado"

(em O POETA, O POEMA)



"Esperança, aquela sempre nos alcança.
É presente, inerente, como a vida, que nos surpreende, atrevida!
A nos resgatar, mesmo quando não queremos ser salvos, inconsequentes que somos, ingênuos até.
Quando nos julgamos sem fé..."

 (em RENASCER)



"Como posso considerar a noite como antítese do dia, ou a morte como oposta à vida, se ao que parece fazem apenas uma continuidade entre o que se vê e ao que se desconhece. Seria tudo aquilo que meus olhos escondem de mim? E se meus olhos estiverem me ocultando a vida na grande ilusão que seja a morte, ou ainda, fechando-se para a noite, onde muito do dia acontece??!!"

(em COMO A NOITE)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Vivas e gritos de liberdade.

Afonso de Sousa Cavalcanti

Com tamanhas qualidades e quantidades
balança na praça central da cidade
a bandeira do Brasil.


É mais um sete de setembro
com vivas e gritos de liberdade
na sombra da bandeira do Brasil.


Bandeira, estandarte dos patriotas,
corta o vento e empurra os males
que ameaçam os herdeiros de meu país.

                                  ...

LIA

DEMA



Na noite mansa eu me revolto.
Te chamo, imploro, grito:
Vem!


Ah!
Me enlevo quando te elevo
Por sobre as ondas do Mar de Sá.
                                        (lembro)


De mansinho beijo teus cabelos
De anéis molhados, dourados
À luz do sol.
                                         (quero)


Se te assustas, eu me quedo
A segurar-te firme em meus braços fortes.
Teu olhar sereno mui profundo sugo
E a teus lábios róseos eu me entrego.
                                                       (faço)


A noite desce,
Quase adormeço.
Te aconchego num abraço longo,
Te arranco o medo d’ “o que será?”
E acalentas o meu dormir.
                                       (acontece)


Como eu a ti sobre as ondas,
Em sonhos me embalas, Lia.
                                       (confesso)


Meiga, terna, pura, bela!
Lia velas!
Lia minha!
Lia, ninas meu amanhecer.
                                        (adoro)


Na manhã calma eu me consolo,
Te amo, peço, suplico:
Fica!