dema
É de madrugada.
Acomodado no sofá com almofada,
deleito -me em contemplar
suntuosas, cintilantes,
soberanas, autônomas e arrogantes
estrelas de um céu próximo ao mar.
Vejo-as pela vidraça da janela,
ignoro qual mais bela.
Desnudam-se ante mim ao olor do jasmim
que adentra a sala.
Observam, certamente, com espanto
lá na orla-mar,
o desfile de outras tantas
perseguindo o mestre-sala,
estrelas da Sapucaí,
do Rio onde a natureza, a qualquer hora,
sorri ,
até mesmo quando chora.
Orgulham- se de si,
repugnam os aplausos das rivais,
seu sambódromo não se desfaz,
e seu desfile majestático incendeia
o estro dos poetas à luz da candeia,
o vislumbre das criaturas
e o aplauso do Criador lá nas alturas.
O palco eterno do firmamento as acolhe.
Pra meu desgosto,
meu entendimento encolhe.
É a vida que folgueia
em noite de lua nova,
mui diferente da cheia.
É a dança dos astros que se inova,
das estrelas desnudas da Sapucaí
e das que pela eternidade cintilarão por aí.
...
"NUNCA É TARDE" é um blog que divulga ideias e produções que podem incrementar sua bagagem cultural. Traz textos profissionais, religiosos, literários, filosóficos, dentre outros.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
ESTRELAS
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
PEDRINHAS - RETIRO 2012
DE 10 A 12 DE FEVEREIRO
Então, as fotos:
DE 10 A 12 DE FEVEREIRO
Uma vez mais fomos até a montanha para rezar, um encontro com Deus, com os amigos, com as lembranças e para matar a saudade.
Desta feita conhecemos, através do pregador, Pe. Vinícius, um pouco mais da vida de São João Neumann, o pequeno bispo de Filadélfia.
Não éramos muitos, como de outras vezes, mas vivemos intensamente os momentos que ali passamos.
Em espírito, Libardi esteve conosco, é claro, de mãos dadas com Jesus e Maria.
Temos certeza absoluta de que laboramos para consolidar um pouco mais a unidade.
O sentimento que resulta do encontro é de paz, de leveza, de conforto, de bem-estar. Vivemos renovação de vida, de espírito e de fé.
Além das preces, não faltou música. Clarindo e seu Irmão, Tião Cortez e sua viola, Dezidério, meu amigo Dezidério, e sua voz postada, mas todo alegria.
O que ali se realiza precisa repetir-se anualmente. Parabéns aos organizadores, cujo empenho e dedicação possibilitam os momentos prazerosos que passamos.
Então, as fotos:
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
VENDAVAL
(dema)
Hei de chegar-te vendaval
a devastar teu coração,
gênio do mal,
arrebatar a tua alma
pra fazê-la toda minha
e no recuo da maré te levar,
sozinha,
pra te amar de paixão
e fantasia,
após a maresia,
com calma,
nas profundezas do meu mar
de amor e poesia.
Como Ícaro sem asas,
derretidas ao suor de meu calor,
não serás mais beija-flor
e terás por tua casa
só o meu mar de amor.
...
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Crueldade
Com presumida licença, tomo da contribuição de Benedito Franco (Benê) para acolher nesta postagem a obra prima de Avelina:
151 - Crueldade
(Avelina M.N.Almeida)
Por cima do muro
a rosa espiava
a rua
Indiferente e cruel
eu a colhi
e a condenei
ao exílio
de uma jarra de sala
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
SABOR DE PECADO
dema
O pudor corre em minhas veias
e proíbe à mente propor
as palavras adequadas para o nosso amor.
A timidez veda-me descrever
o pele-a-pele, o boca-a-boca,
o pelo-a-pelo, o prazer
da transa suave ou do frenesi da louca;
dizer os verbos rudes e amáveis que,
na posse mútua, pronunciamos ao fugir a lucidez;
exprimir a inebriante fragrância
que exala de corpos em chama,
quando se ama,
enquanto dois corações são
uma só carne e uma só alma;
expressar o gosto de céu
pipocando estrelas de nossos “ais”,
― esse sabor de pecado
que, degustado, fica,
se não descrito,
inaudito;
depois, a languidez da calma.
...
sábado, 28 de janeiro de 2012
POETA OU ASCETA
dema
Quem não beijou mulher nua
sob o olhar claro da lua e
correu pelado pra rua,
melhor tornar-se asceta,
pois não serve pra poeta.
Quem jamais saiu da linha,
ou suspirou quando ela vinha,
pois pensou que já a tinha,
antes ser anacoreta,
longe o dote pra poeta.
Quem nunca encontrou o amor
nem viu Deus em cada flor,
jamais sofreu de paixão,
desdenhou da solidão,
se o coração não palpita,
leve a vida de eremita.
Quem não fala com as estrelas,
não tem fome de querê-las,
se afastou do infinito e
nem se abriu para o universo,
nunca foi meio esquisito,
não tem dom pra tecer verso.
Faz-se surdo para o vento,
jamais tem contra-argumento,
se afoga em ondas do mar,
não se expressa pelo olhar,
se a saudade não lhe afeta,
não tem jeito pra poeta.
Quem não mira o azul celeste
ou a secura do agreste,
não conhece a amargura
ou o veludo da ternura,
jamais enfrentou a morte
nem dialogou com a sorte,
pode tentar outra meta,
que não se forma poeta.
Quem não sabe o que é chegada,
ou partida inesperada,
desconhece a boemia,
não viu noite virar dia
ou a cauda de um cometa,
mal sabe onde seu planeta,
se apavora com altura,
ser poeta lhe é loucura.
Quem tem medo do inferno,
ainda que seja inverno,
não pisca ao fazer careta e
mocha o chifre do capeta,
lê mito por encomenda
sem saci em nossa lenda,
melhor partir para Marte,
se não, vá morrer de enfarte.
Quem não nadou no oceano
nem sonhou com sua amada,
jamais sofreu desengano
co’a donzela imaculada,
não pensa na natureza,
não percebe sua beleza,
feche a casa em que habita,
se vista de cenobita.
Quem não teme a montanha
nem a força da procela,
sequer sabe por que apanha,
se é por culpa sua ou dela,
se a lua não lhe é amiga,
jamais cometeu intriga,
nunca gostou de criança,
ser poeta é só esperança.
Quem não chora com a tristeza,
não sorri com a alegria,
nunca viu uma princesa,
nem riqueza onde há pobreza;
a quem não ama a folia
e detesta a oração,
digo, com a maior clareza,
só se presta a ermitão.
Não se enoja com a matança,
não tem fé nem confiança,
vive se entregando ao ócio,
sem fechar qualquer negócio,
nunca recebeu carinho,
não se percebe sozinho,
leia assim esse recado:
ser poeta não é seu fado.
Se não crê que Deus existe
e se pretende trovador,
perde tempo, se insiste,
ou aprenda a cantar o amor.
Inda assim eu aconselho
que se enxergue pelo espelho,
que é melhor virar asceta
quem não pode ser poeta.
...
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
POEMA EM FLOR
dema
Hoje teci um poema
para o meu querido amor.
Nem precisei de um tema,
pois que sou bom sonhador.
Eu comecei pela haste,
como se fosse uma flor.
Coloquei pétala a pétala,
em cada uma, uma cor.
Por fim, jorrei-lhe perfume
pra inebriar meu amor.
...
Assinar:
Postagens (Atom)