sexta-feira, 25 de março de 2011

MEDO

                                                                            dema

Ao revés de vir à luz,
irrompi-me projétil deflagrado contra o insondável universo.
No espaço de obscuridade esparso
fricciono coriscante a trilha do destino que a mim traço.
Tenho por missão o “faça-se!”
Destemo o indefinido,
ou estaria a renegar a humana gênese,
cuja essência perfaz-se no planear-se
e no autóctone executar-se.
Não me apavora a morte,
pois entreposto indeclinável do existir.
Antes fugir da vida,
Senhora do sucesso e do fracasso.
Mas desertar da batalha é
desmerecer–se a mortalha.
Abomine-se o “Laissez faire”,
tremule-se o estandarte “Carpe diem!”
Que o agir encha meu farnel pra desjejum
e merenda na jornada.
Fora meu ser, nada a temer.
Mas um receio estranho exsurge
e se agiganta,
parece não ter fim:
é o medo de mim.
            ......

A crítica:


O Prof. Eduardo Humberto de Carvalho, expert em Literatura, Gramática e Linguística, assim se manifestou:

"Ademar, fiz algumas “intromissões” no poema “Medo”. Ei-las:

Há, entre tantos, dois traços essenciais que demarcam a construção poética de “Medo”: a seleção vocabular, que tipifica o neoclássico inutilia truncat, e a precisão. O primeiro, envereda-se, a meu ver, intencionalmente, para o campo da existência humana assaz pertinente em verbetes como “vir à luz”, “universo”, “espaço”,”destino”, “indefinido”, “gênese”, “essência” presentes na primeira estrofe e que, irremediavelmente, sucedem-se espalhados nas duas subseqüentes cujo teor semântico não se desvia do plano traçado pelo poeta – destemor diante da morte contrapondo-se a um temor de si mesmo; o segundo, caracteriza-se pela habilidade de sintetizar em três estrofes a impassibilidade filosófica diante do medo, abdicando-se do sentimentalismo piegas pela contenção da subjetividade.
O autor claramente engendra a sua poesia com labor e persistência; preocupa-se com a organização da mesma através de versos livres e concisos. O resultado final é uma composição poética concretizada sob matizes de contenção da musicalidade fácil e o repúdio explícito do exagero muito comum em temáticas de natureza existencialista.
Por fim, o autor não foge à sua jornada: enche o seu “farnel” para enfrentar a sua jornada de maneira serena. Não há indagações sobre a brevidade da vida; não há tampouco questionamentos sobre o sentido da existência e da incompreensão humana, embora estejam presentes nas entrelinhas por uma razão muito simples: o poeta, apesar de “receio estranho” que “exsurge” do seu interior, estanca-o porque está vigilante para enfrentar o maior dos inimigos – ele próprio.
Obs: Se não julgá-las pertinentes, pode refutá-las. "


Não pude deixar de responder:

"Meu caro Eduardo,
Muito lhe agradeço pela intromissão encomendada no texto posto sob sua apreciação. Para ser sincero, acho melhor a crítica do que o poema. De fato, há redundância e um certo malabarismo para expressão da temática.
Não tenho o que refutar, apenas a considerar a riqueza que se obtém dependendo de diferentes prismas pelos quais o texto é apreciado.
Você o analisa sob o aspecto literário, ressaltando qualidades e ranhuras que nele se apresentam. E o faz de maneira clássica, em alto estilo e irrefutável, qualidades que inerem à sua maneira de ser.
De meu turno, muito embora preocupado com a forma, intentei repassar a ideia existencialista do ser humano, no caso, personalizado no autor, que se vê como um "dado" lançado no universo, cuja essência vai se construindo com a execução do projeto que faz para si. Como nada se encontra definido, como nenhuma garantia há de sucesso ante o livre planear e executar de seu projeto, o grande medo deriva exatamente do exercício dessa liberdade. O homem há de realizar-se, ou não, em decorrência do que tiver construído por si mesmo. A responsabilidade pelo sucesso ou fracasso é toda sua. "

domingo, 27 de fevereiro de 2011

052 - Minha filha

Benedito Franco


Minha filha às vezes passa em frente à loja - alta, esbelta, morena - beirando a jambo - sorridente - sorriso de gente feliz consigo mesma - esbanjando saúde: impressão que dá ao vê-la, nos não mais que vinte anos... ajuizada e séria - fiquei sabendo. Linda!

Sô João freqüentava a igreja em frente à minha loja. Tornou presença muito comum e os papos constantes, ainda mais que pertencia, e dos melhores e maiores colaboradores, à Conferência de São Vicente de Paula - Instituição que admiro e procuro ajudar o quanto posso (papai tinha orgulho de ser vicentino e foi tesoureiro por mais de quarenta anos - a Vila de São Vicente, em Coronel Fabriciano, MG, ajudada a ser construída por ele).

Sô João chegou a mim: - Meu filho separou-se da mulher e levou a filhinha recém-nascida para minha casa. Não gostaria de ficar com ela, pois a Maria anda cansada e doente, não contando a idade. Você poderia adotá-la. Suas filhas quase adultas, sua situação financeira boa. Tenho inteira confiança de que minha netinha será bem criada e amada, como suas filhas são formadas e educadas por você.

Foi uma tentação! Chegou a me abalar. Fiquei de pensar e dar uma resposta, certamente afirmativa - criança conquista qualquer um.

Pensando bem, cheguei à conclusão que a menina moraria melhor com os avós - haveria melhor Família para ela?- Mas, como falar e convencer o Sô João?... Ele firme em seu propósito de me doar a menina, pois preocupava-se, e muito, com a doença da esposa.

Solução: protelar o máximo o tempo de pegá-la. Assim os avós poderiam apegar-se à criança. O negócio é ganhar tempo - não cair na tentação - já pensaram: mais uma filhinha, de mão beijada? Nossa! Demais.

- Sô João, irei conhecer a menininha. Ainda não conversei com as minhas filhas - amanhã o farei. Na realidade já havia; expus à Tatiana e à Fernanda a oferta do Sô João; ora entusiasmavam, ora desanimavam:

- Como vamos fazer na hora em que formos para o colégio?

- A gente arruma uma babá...

- E nas férias? Vai ficar com quem?

- E se a mãe vier buscá-la?

- E quando ela crescer...

Estas perguntas e as variantes foram constantes e serviram para aguardarmos mais alguns dias para conhecerem a menina. Além do mais, estavam em provas no colégio.

Alguns dias após, fui conhecer a menina. Nossa! Linda! Deu vontade de trazê-la, na hora, para minha casa. Parecia um pouco com a Tatiana quando pequena - a mesma cor.

O Sô João insistia, indagando se gostei da menina e qual minha opinião. Mostrava-me interessado, mas sempre achando que a menina deveria ficar com os avós.

Quase vinte dias após a primeira proposta, as meninas e eu chegamos à casa do Sô João e da Dona Maria. Difícil as meninas mostrarem-se nem tanto cativadas pela idéia de levar a criança - linda! Uma tentação. Combinamos dar uma resposta alguns dias depois. Eu, bastante interessado, e as meninas quase que curiosas. Sô João eufórico e Dona Maria um pouco menos... ciúmes ou saudades antecipadas?

Por volta de um mês desde o início da proposta, as visitas do Sô João escasseavam. Um belo dia:

- É... a Maria tá muito agarrada à menina.

Dias depois:

- Pelo jeito ... você demorou... a Maria, acho, não vai mais deixar a menina vir para sua casa.

Ele tão afeiçoado quanto Dona Maria.

- Sô João, chegamos ao que eu desejava, os avós são os melhores pais para a netinha...

E quando a vejo... tem um quê de filha minha...



...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O que o fado nos reserva...



                                                    Dema


Tua imagem faz presença em minha mente
Como tela de trabalho em monitor.
Por vezes, esmaece; outras, salta evidente.
Se altera, quando muito, é o tom da cor.

Desses teus ardentes lábios um desejo
Faz de mim obsecado sedutor.
Fico a saber se o que de ti almejo
É animalesco ou se é expressão de amor.

Envolvido eu me vejo em teu abraço,
Osmoseando a suavidade de tua face,
Aquecendo-me ao calor de teu regaço,
Oh! Afrodite, eu te ofereço eterno enlace.

Senhora dos meus sonhos e receios,
Palpitar de meu viver cotidiano,
Concretiza este sonhar e, sem rodeios,
Me promete fazer teu este meu plano.

Sê pra sempre a companheira deste moço,
Pra vivermos o que o fado nos reserva.
Em nossas almas o amor faz alvoroço
E, com certeza, à eternidade se conserva.

Que o glamour desse sentir nos enobreça
E conosco se prolongue até a morte
Caso um dia o infortúnio aconteça,
Seja o amor o nosso trevo da sorte.

                           ... ...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

PEDRINHAS - RETIRO 2011

                   FOTOS DO RETIRO DE 2011
                    (Fonte: Pessoal de Uberlândia)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Entardecer


A brisa mansa
balança as folhas das palmeiras
e suaviza o calor sufocante da tarde que cai.
Um raro manto azul manchado de alvas nuvens
encobre a abóboda celestial do planeta.
Súbito, cintilante, a aeronave cruza o espaço
e risca de humano a paisagem divina.
Aqui, extasiado, boquiaberto, pleno de mistério, permaneço,
almejando, ante o convite eterno,
vasculhar o infinito.
Prescindíveis rimas a prosaicos versos
que buscam desnudar o belo entardecer
no hemisfério sul.


Vale!!!

I TORNEIO DE TRUCO ENTRE AMIGOS - 2011

Sábado, dia 05/02/2011, aqui em casa, realizamos uma confraternização (amigos de Ademar e amigos do Daniel), com churrasco, sub zero e um campeonado de truco, inclusive com lindo troféu para a dupla melhor colocada e medalhas para a segunda. Fizemos um torneio com 24 duplas, distribuidas em 4 grupos para a classificatória, depois semi-final e final.


Pode parecer marmelada, mas a dupla vencedora foi Daniel e Diego, o primeiro, organizador do envento.
Foi uma tarde muito alegre e barulhenta.
Esperamos que todos tenham gostado e, não demora, vamos organizar o próximo.

Valeu!!!


Confiram as fotos