segunda-feira, 22 de agosto de 2016

APAIXONADO


dema


Presumo estar bastante apaixonado,
portando até ciúme doentio,
quando imagino alguém com minha amada,
sinto-me macho de cadela em cio.

Quem sabe a lua possa vê-la nua
ou então o sol que doura a madrugada,
mas nunca o vento, se vier da rua,
pois a fuligem torna-a maculada.

Meu Deus, que estranho, esse sentir me assusta
e, ao mesmo tempo, me envolve e me assanha,
como o maestro, movendo a batuta,

induz a orquestra a executar façanha,
sou provocado a tentar a ventura
desta paixão repleta de loucura.


EM DEMASILVA

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Dueto poético


sábado, 30 de julho de 2016

Teu olhar


dema


Teu olhar retrata
a melancolia
que  faz, na tu’alma,
sua moradia.

Por certo é quem causa
o lirismo puro
e a paixão profunda
pela poesia.

É pra ti que mentes
se a verdade negas,
pois tudo que sentes
teu olhar entrega.

Que tal liberares
esse coração
desnudar-se em versos
plenos de emoção?

em demasilva

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Temporã


dema


Eu, menino no quintal,
de quando em quando, normal.
Comia fruta de tempo,
porém, não raro o momento,
preferia a temporã
(aquela que, em vez de hoje,
deixou pra vir amanhã).

Hum! de dar água na boca,
a mexerica azedinha,
extemporânea, mas louca
por parecer mui docinha.

Aquela goiaba mágica
que eu degustava em segredo
ressurgia da folhagem,
pois de mim não tinha medo.

Todos os pés vasculhados:
caqui, laranja, caju;
já na moita de bambu,
mel de abelhas jatai
(Zumbindo, zumzum, zumbindo
e eu não ‘stava nem aí).

E as supimpas cajá-mangas
me chamando, do vizinho;
claro, eu lotava a capanga
e vazava de fininho.

Tal qual furtar milho verde
na roça do Nhô Jacó,
de tanta espiga no saco,
mal o fechava com nó.

Doutra feita, a melancia,
para escolher uma só,
eu furava a maioria,
sequer tiquinho de dó.

Estranho mesmo era manga,
nunca encontrei a destempo;
por não achar, a munganga
virava meu passatempo.

Inda bem que a vida passa
e fatos viram momentos.
A lembrança os traz de graça
e produz contentamento.


Em demasilva

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Atlântico oriental


dema


Dupla versão

1.    Poética

Repudiada a teoria da deriva continental,
saltei de placa, atlanticamente, afinal,
da sul-americana para a africana.
Provo o sabor da Macaronésia
e, em mergulho, me aventuro
no venturoso mar das Canárias,
das límpidas e salinas águas de cá,
que me convidam à talassoterapia,
por óbvio, ao lazer e à alegria.
Equatorial, entre nós,
o sol surfa as ondas turquesas
(sonho de duques, poesia de princesas).
Aqui não há pó adejante,
entretanto, não longe,
ao de lá de Tarfaya,
mãos dadas ao vento,
as dunas perambulam
no  ocidental Saara.
Sente-se, no ar, o quente lá estar.
De quando em quando,
assustam-me imagens de barcos chegando,
piratas de saque do mar da Guiné.
Bobagem, distante estou,
nem sou Capitão de navio mercante,
aliás, sequer navegante.
O bom vinho do Porto
em reserva de véspera
me aguarda, a regar
apetitoso prato de frutos do mar.
Quem dera me atassem,
flamenco e bolero,
não houvesse voltar!
Meu quinhão, no entanto, é sul-americano,
e meu rancho fica em um seu altiplano.

2.    Lacônica


Visitei as ilhas Canárias e gostei.






Sabor de Pecado e outras essências - entrevista Rádio Universitária (UFU)

Ponto de Leitura  - POEMA "ENTARDECER" 

Para acesso ao audio, clicar no link e fazer o download do arquivo MVA.


quarta-feira, 20 de julho de 2016

Deus e não-Deus


dema


A incredulidade é a própria crença do incrédulo. Intenta sustentá-la, mas com mera negativa. É como provar o nada com o niilismo. Seu descrer converte-se em sua divindade. Mais fácil me parece provar o divino com elementos positivos do que negar-lhe existência por simples negativa. A negativação concretiza-se ser positivado e locupleta espaço do ser completo. Noutro dizer, ser e não ser incorporam o mesmo universo, tão somente sob óticas diversas. O onipresente contém o sim e o não, o tudo e o nada, o anverso e o reverso, o repleto e o vazio. Assim, não há onde caber o nada, vez que o tudo não lhe deixa brecha, isto é, o nada se contém no tudo. Destarte, o não-Deus em Deus está contido. Negá-lo é conferir-lhe positividade.