sábado, 18 de março de 2017

Libertação


dema


Dizer quanto te amei muito me apraz,
também ouvir de ti que amado eu fora;
minh’alma, prisioneira, já não mais
 _ barganha eficaz, libertadora!

Jamais imaginei que isso se desse;
pensava-me fadado a teu escravo,
será fosse esse teu maior estresse (?)
- palavras a operarem desagravo.

Suporte de aspirar eternidade,
para o crente, há de ser profunda fé;
de igual sorte, esperar felicidade
se valida enquanto ilusão houver.

Caso a fé vire objeto de repúdio
e a ilusão seja pro inferno banida,
logo, logo, o real se torna o estúdio
onde a  esperança frágil perde a vida.

Um’outra expectativa então renasce,
que possa eu doravante ser feliz
e, sendo o meu amor de uma só face,
me torne assim o ser que sempre quis.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Simplesmente mulher


dema


Nasci por amor
para amar-te
e, parte de ti,
contigo, fundir-me par,
a parir os teus filhos
e o filho de Deus.

Nasci tua flor,
beleza, ternura, calor;
teu sonho juvenil,
complemento maduro,
conforto senil.

Musa, inspiro teus versos,
te suscito profunda emoção.
Se desamas, então de mim fazes
subterfúgio de tua traição.
Ao depois de assim te perderes,
minha imagem se põe teu castigo,
eu, fantasma de tua paixão.

Sou leve, frágil, num só tempo, leoa;
aleito as crias e as protejo com garras
que estraçalham bicho e pessoa.

Do amor sou fruto, força e fé,
tal e qual quem me fez o quer,
sou, simplesmente, mulher.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Pé de poesia (declamado)

(revendo)

PÉ DE POESIA
dema

No meio do meu quintal,
tem um pé de poesia,
que vasculho todo dia
à procura de um fruto
pra encher-me de alegria.
Ele fora muito fértil,
mas agora, diferente,
não verdeja, não floresce,
não dá fruto nem semente.
Inda que o regue sempre,
que o adube, que o pode,
que o proteja dos pulgões,
ele nunca mais me acode
mesmo a poder de orações.
Já pensei erradicá-lo
e queimá-lo inteirinho,
pra plantar em seu lugar
um pé de amor e carinho,
onde toda ave canora
pudesse fazer seu ninho.
Tenho medo, no entanto,
(baixinho, pois é segredo)
de que não vingue a plantinha
e solidão me cause pranto,
matando a esperança minha
de que, talvez algum dia,
farfalhando densas folhas
do velho pé de poesia,
eu descubra um fruto novo
carregado de sementes,
a germinarem na alma
deste poeta demente.

ver em


domingo, 5 de fevereiro de 2017

En passant


dema

“Passa, vida, passa!
Sou quem, no teu passo, passa.” - dema

Nada, sei, tenho de bom,
também nada de ruim;
do começo ando distante,
estou próximo do fim.

Não darei meu nome a rua,
jamais fora, a cargo, eleito,
não fui pego em falcatrua,
e, com a lei, andei direito

Não de grana, mas de gente,
nos milhões, desapareço,
sou, com amigos, exigente
não ligo a quem desconheço.

Talvez alguém mais duvida
ou me é mera ilação:
a morte persegue a vida
ou viver é embromação.

Pois a vida é, dela, escape
qual embate rato e gato,
porém, no final desate,
sempre a vida paga o pato.

Pergunto-me, por final,
se esta vida que inda vivo
Deus a quis assim banal
ou por que me fiz passivo.









sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Vigilante


dema



Chama-me a tarde a ver uma vez mais o sol,
que logo, logo, irá esconder-se no horizonte.
Precavida e lúcida, propõe despedida.
Não obstante a esperança, sempre incerta é a vida.

O ofuscar das estrelas na manhã seguinte
há invocar-me de novo a dizer-lhe bom-dia.
Tomara que chegue e, ao fim da luz, outra tarde
refaça o convite e ressalte o mesmo alarde.

Talvez guarde sigilo, qual sábia vetusta
que previne o imprudente a se manter alerta.
Mil vezes uma prece à divindade augusta
e aproveitar o dia que a manhã desperta.

Quando se der o fato, inda que de repente,
não o será a mim inesperadamente.
Absorvê-lo-ei em seu sabor natural,
sem constrição alguma, como um 'gran finale'.

Em demasilva

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Amor zumbi


dema

Viçoso câncer comendo-lhe a alma,
premer de um coração enfermo
pra expelir o sangue podre,
fel salivar carente de beijos,
profunda e perene dor da perda.
Desimportante a beleza, a ruga,
se apenas um momento:
simples olhar,
o sussurrar de um “Oi!”.
Quiçá névoa vagante
no espaço-tempo,
esse amor.
Maldito réquiem!

em demasilva

sábado, 28 de janeiro de 2017

Futilidades


dema

Futilidades, futilidades, futilidades...
Brotam do nada
e, cancerígenas bolhas de espuma plenas de vazio,
multiplicam-se.
Qual erva daninha na rotina da vida,
invadem a relação afetiva e ocupam o espaço
da tolerância, da harmonia e dos sentimentos bons.
Enchem o saco.
Traças do Demo, devoram o liame entre almas.
Ou se lhes mete um chute no saco
ou elas dão um “pé na bunda” do amor.
Arre!!!

EM DEMASILVA